ROOTS: o que a palavra realmente carrega
Se você frequenta as festas, coleciona compactos, ou simplesmente admira o reggae de verdade, você já deve ter visto uma palavra que aparece toda hora: Roots.
Ela tá no nome de DJ, no cartaz, na conversa de roda, no tema do set, o Dj falando… e também vira debate e belas discursões. “Roots” pode ser simples e é gigante ao mesmo tempo.
No dicionário, Roots é “raiz”. No reggae, a coisa vai além: Roots é origem, fundamento, mensagem e identidade.
Eu já ouvi o Gianni Zion dizer algo que faz muito sentido: Roots é toda música que vem da Jamaica. Dá pra concordar fácil, porque a ilha é o tronco principal dessa árvore.
Mas hoje eu quero ir por outro caminho: não só o significado literal, e sim como Roots se encaixa dentro do reggae, especialmente quando falamos do termo mais conhecido: Roots Reggae.
Roots Reggae: é mais que “reggae raiz”
Roots Reggae é um subgênero do reggae. E ele é reconhecido por ser original e carregar nas letras uma mensagem forte.
É o reggae que fala de:
- espiritualidade e visão Rastafari
- orgulho negro e consciência
- repatriação para a África
- desigualdade social
- opressão, preconceito e resistência
Não é só música pra curtir: é música pra lembrar de onde veio e pra onde você quer ir.
Antes do reggae existir, a mensagem já estava chegando
Um ponto chave nessa história é 1966, com a visita de Haile Selassie à Jamaica.
O reggae ainda não tinha “nascido” oficialmente como gênero, mas o tema, a consciência e a vibração já estavam se espalhando forte pela ilha, dentro do clima cultural e espiritual da época.
Ou seja: o Roots não começa com o rótulo “Roots Reggae”. Ele começa como um despertar sociedade da época.
Final dos anos 60: nasce o reggae, e o Roots ganha forma
No fim da década de 60, o reggae surge como transição do rocksteady, engatinha com early reggae até tornar a forma real.
E no começo da década de 70, o Roots Reggae começa a se afirmar com mais força, até alcançar um dos seus picos mais lendários.
Muitos colecionadores que pesquisam costumam dizer que 1975 foi “o ano de ouro do reggae”. Seja por volume, qualidade, impacto cultural ou tudo isso junto.
Artistas, grupos e produtores: a espinha dorsal da era Roots
Quando a gente fala de Roots Reggae, alguns nomes viram referência imediata:
Artistas e grupos
Bob Marley, Peter Tosh, Burning Spear, Dennis Brown, The Abyssinians, Black Uhuru, Culture, Steel Pulse, Israel Vibration…
Produtores
Lee “Scratch” Perry, Bunny Lee, Joseph Hoo Kim, Coxsone Dodd, entre outros.
Foram alguns do que ajudaram a transformar o reggae em linguagem mundial.
Como o Roots “soa”
Musicalmente, Roots tem uma assinatura marcante de reconhecimento:
- one drop clássico e bem marcado
- baixo encorpado, colado na bateria
- guitarra no skank (aquela marcação que puxa o ritmo)
- metais harmoniosos
- presença forte de órgão, às vezes piano e percussões (nyahbinghi e outras)
É som que tem base, tem peso, tem mensagem, e ao mesmo tempo te chama pra dançar.
Dentro do Roots Reggae, existem variações
Mesmo dentro do Roots Reggae, existem caminhos diferentes:
one drop, flying cymbal, country style, nyahbinghi, deep roots…
Ou seja: Roots não é um “bloco único”. É uma ampla área cheia de raízes.
Os selos: onde muita história foi prensada
Se você coleciona compactos, você sabe: selo é o documento do registro.
Na Jamaica, alguns dos selos mais marcantes dessa era incluem:
Studio One, Upsetter, Joe Gibbs, Channel One, Attack, Observer…
E sim: muitos tinham subselos. Isso era estratégia de mercado (e muitas vezes também fiscal) mas também virou parte do charme dessa arqueologia do reggae.
Na Inglaterra, alguns selos que marcaram época:
Island Records, Trojan Records, Pama Records…
Pra fechar: Roots é mais do que uma palavra
Roots é raiz mas no reggae, Roots também é: memória + resistência + identidade + fundamento.
E talvez o melhor termômetro seja esse:
toda vez que você ouve um som e sente que ele tem verdade… você tá sentindo Roots.
Vou citar 05 selos de compactos da minha coleção (que não mencionei aqui) e que são parte viva da minha discotecagem. Entre clássicos e relíquias obscuras que sempre funcionam na pista.





Na ordem: Impact, Playback, Harry J, Federal Records e Micron.
Sou Bandit Dubwise.
Sou Dj, colecionador, produtor de eventos e empreendor.
